[Quinta-feira, Junho 15, 2006]
Roma e Constantinopla: Igrejas verdadeiramente irmãs
Fonte: Rádio Vaticana
Depois de, nas semanas anteriores, ter falado do Apóstolo São Pedro, foi ao seu irmão Santo André que o Papa dedicou a catequese da audiência geral desta quarta-feira, comentando as passagens evangélicas que a ele se referem. Bento XVI sublinhou a especial ¿relação fraterna¿ que une as ¿Igrejas Irmãs¿ de Roma e de Constantinopla, correspondendo à relação dos dois irmãos, aos quais estas duas antigas sedes apostólicas estão desde sempre ligadas - tendo como patronos, respectivamente, Pedro e André.
Começando por observar que André é um nome grego, não hebraico, o Papa fez notar que, num episódio evangélico referido por S. João, André (juntamente com Filipe, também de nome grego), serviram ¿ junto de Jesus - de intérpretes e mediadores de um pequeno grupo de gregos que queriam dirigir-se ao Mestre. Ora - prosseguiu Bento XVI - ¿tradições muito antigas¿ consideram André¿ como ¿apóstolo dos Gregos¿, ¿anunciador de Jesus para o mundo grego¿.
¿Pedro, de Jerusalém, através de Antioquia veio ter a Roma, para aí exercitar a sua missão universal; André, por sua vez, foi o apóstolo do mundo grego: eles aparecem assim, tanto em vida como na morte, como verdadeiros irmãos - uma fraternidade que se exprime simbolicamente na relação especial existente entre as Sedes de Roma e de Constantinopla, Igrejas verdadeiramente irmãs¿.
Bento XVI recordou que foi ¿para sublinhar esta relação¿ que o seu predecessor o Papa Paulo VI, em 1964, restituiu as relíquias de Santo André até então conservadas na basílica do Vaticano, ao Bispo metropolita ortodoxo da cidade de Patrassos , na Grécia, onde, segundo a tradição, o Apóstolo foi crucificado.
Foi em resposta a uma pergunta apresentada por André que Jesus referiu que ¿se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, permanece só; mas se morre, produz muito fruto¿. Neste contexto concreto ¿ considerou o Papa ¿ com estas palavras Jesus alude à fecundidade que a sua morte redentora terá no mundo grego, entre os pagãos, como fruto da sua Páscoa. Como se Jesus dissesse: ¿Da minha morte na Cruz virá a grande fecundidade: o ¿grão de trigo morto' -símbolo de mim crucificado (diz Jesus)- tornar-se-á na ressurreição pão de vida para o mundo; será luz para os povos e as culturas. Sim, o encontro com a alma grega, com o mundo grego, realizar-se-á àquela profundidade a que alude o caso do grão de trigo que atrai a si as forças da terra e do céu e se tornar pão. Noutras palavras, Jesus profetiza a Igreja dos pagãos como fruto da sua Páscoa¿
Na parte final da sua catequese, em italiano, nesta audiência geral, sobre a figura do Apóstolo Santo André, Bento XVI referiu ainda a tradição que refere a morte do irmão de Pedro, em Patrassos, crucificado não numa cruz como a de Cristo, mas sim numa em forma de xis, desde então designada precisamente como ¿cruz de Santo André¿. Citado um texto do século VI intitulado ¿Paixão de André¿, que põe na boca do Apóstolo palavras de profundo amor à ¿Cruz bem-aventurada¿, entendida como ¿um dom¿, que comunica grande alegria interior identificando com Jesus crucificado. ¿Temos aqui uma profundíssima espiritualidade cristã que vê na Cruz não tanto um instrumento de tortura mas sim o meio incomparável de uma plena assimilação ao Redentor. Devemos aprender daqui uma lição muito importante: as nossas cruzes adquirem valor se consideradas e acolhidas como parte da Cruz de Cristo, se banhadas pelo reflexo da sua luz. Bem conscientes que só a partir daquela Cruz os nossos sofrimentos assumem nobreza e o seu autêntico sentido¿.
Presentes nesta quarta-feira, na Praça de São Pedro, para a audiência geral, peregrinos de língua portuguesa. O Papa dirigiu-lhes a palavra em português:
"Amados irmãos,
Nossa Catequese de hoje se centra na figura do Apóstolo André, irmão de Pedro. A Igreja bizantina honra-o com o nome de Protóklitos, ou seja o que foi ¿chamado por primeiro¿, por ter sido o primeiro entre os apóstolos a seguir o Senhor. Depois dele viriam todos os demais, antes de mais Pedro, a quem o Messias confiaria a sua Igreja. André foi o apóstolo do mundo grego; por isso, ele exprime uma simbólica aliança entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla.
Ao recorrer à intercessão deste grande apóstolo, peço a todos os peregrinos presentes de língua portuguesa, especialmente os grupos vindos de Portugal e do Brasil, que rezem pela unidade da Igreja e pela comunhão de todos os cristãos. Com a minha bênção Apostólica. "
por RAFAEL BACELLAR
13:59
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[Segunda-feira, Junho 12, 2006]
Conflito religioso é mais perigoso que o ideológico
Fonte: Rádio Vaticana
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou ontem sobre o risco de um conflito entre civilizações, afirmando que é mais perigoso dividir o mundo por motivos religiosos do que ideológicos, como ocorreu na época da Guerra Fria.
"Estou convencido de que o confronto religioso é mais perigoso que o ideológico" - disse Putin, numa reunião no Kremlin, com o Secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Ekmeleddin Ihsanoglu.
"As tentativas de dividir o mundo por razões religiosas são perigosas, e a Rússia fará todo o possível para que isso não aconteça" - disse o chefe do Kremlin, segundo a agência oficial ITAR-TASS.
Putin ressaltou que o desenvolvimento das relações com os países muçulmanos e a OCI é uma questão-chave para a política externa da Rússia, "porque milhões de russos professam o Islamismo e têm direito de sentir-se parte do mundo muçulmano".
Por sua vez, o Secretário-geral da OCI afirmou que é muito importante para a organização, que a Rússia participe da solução dos problemas internacionais relativos à comunidade islâmica.
por RAFAEL BACELLAR
10:59
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"Eles verão a Deus"
Nós queremos ver Deus, procuramos vê-lo, desejamos ardentemente vê-lo. Quem não tem esse desejo? Mas repara no que diz o Evangelho: "Felizes os puros de coração: eles verão a Deus". Age de forma a que o vejas. Comparando com as realidades materiais, como quererias contemplar o sol nascente com olhos doentes? Se os teus olhos estiverem sãos, essa luz será para ti um prazer; se estiverem doentes, será para ti um suplício. Certamente que não te será permitido ver com um coração impuro o que só se pode ver com um coração puro. Serás afastado, desviado; não verás.
Quantas vezes é que o Senhor proclamou homens "felizes"? Que motivos de felicidade é que ele citou, que boas obras, que dons, que méritos e que recompensas? Nenhuma outra bem-aventurança afirma: "Eles verão a Deus". Eis como são enunciadas as outras: "Felizes os pobres em espírito: deles é o Reino do Céu. Felizes os mansos: possuirão a terra prometida. Felizes os que choram: serão consolados. Felizes os que têm fome e sede de justiça: serão saciados. Felizes os misericordiosos: alcançarão misericórdia". Portanto, nenhuma outra afirma: "Eles verão a Deus".
A visão de Deus é prometida quando se trata de homens de coração puro. E não é sem razão, porque os olhos que permitem ver Deus são os olhos do coração. É desses olhos que fala o apóstolo Paulo quando diz: "Possa ele iluminar os olhos do vosso coração" (Ef 1,18). No tempo presente, esses olhos, por causa da sua fraqueza, são iluminados pela fé; mais tarde, por causa do seu vigor, serão iluminados pela visão. "Vemos actualmente uma imagem obscura, como que num espelho; nesse dia, veremos face a face" (1 Co 13,12).
Comentário feito por :
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 53
por RAFAEL BACELLAR
10:52
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Vaticano denuncia desinteresse do mundo com a miséria em África
O jornal do Vaticano, ¿L¿Osservatore Romano¿, denuncia na sua edição de hoje (10/06) em italiano a indiferença do mundo perante as tragédias humanitárias que se vivem no continente africano.
¿Distraído de forma culpável, o mundo continua a ignorar a tragédia que quotidianamente se vive na África¿, afirma o diário, num artigo que tem como título ¿África, o escândalo da miséria¿.
¿A cada dia que passa morrem 800 crianças africanas, simplesmente porque as suas famílias não podem pagar a consulta médica ou tratamentos sanitários de base. Bastaria muito pouco para salvá-las¿, alerta o ¿Osservatore Romano¿.
O jornal do Vaticano lembra que ¿bastaria assumir os gastos de saúde que, ainda que sejam poucas moedas para os critérios ocidentais, pesam como chumbo para os orçamentos das famílias africanas¿. ¿Apesar dos bons propósitos manifestados em várias ocasiões nas conferências internacionais, na África, o escândalo da miséria continua a matar vítimas inocentes¿, refere-se.
O OR cita o relatório ¿Paying with their lives¿ (Pagando com as suas vidas), publicado por Save the Children, a maior organização internacional independente para a defesa e promoção dos direitos humanos. Na cúpula do G8 de 2005- recorda um comunicado da organização- os governantes assumiram o compromisso de trabalhar com governos africanos para que estes possam garantir tratamentos gratuitos nos países ou áreas mais pobres do mundo, mas desde então 250 mil crianças já morreram.
O artigo do OR conclui lançando um apelo para que os países mantenham o compromisso de ¿aumentar as ajudas ao desenvolvimento e de incrementar o acesso à saúde em alguns dos países mais pobres¿.
por RAFAEL BACELLAR
10:51
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[Quinta-feira, Junho 08, 2006]
¿Tu amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração¿
O primeiro e o maior mandamento é este: ¿amarás o Senhor teu Deus¿. Mas a nossa natureza é fraca; e o nosso primeiro degrau no amor é o de nos amarmos a nós próprios, antes de qualquer outra coisa, por causa de nós próprios... Para nos impedir de resvalar muito por este declive, Deus deu-nos o preceito de amar o nosso próximo como a nós a mesmos... Ora, nós constatamos que isso não é possível sem Deus, sem reconhecer que tudo vem dele e que sem ele nada podemos. Neste segundo degrau, o homem volta-se para Deus, mas ainda o ama apenas por causa de si mesmo e não por ele...
No entanto, é preciso ter um coração de mármore ou de bronze, para não se ser tocado pelo auxílio que Deus nos dá quando nos voltamos para ele nas provações. Nas provações, é impossível não saborear como ele é bom (Sl 33,9). E em breve começamos a amá-lo mais por causa da doçura que nele encontramos do que por causa do nosso interesse... Quando estamos nessa situação, não é difícil amar o nosso próximo como a nós mesmos... Amamos os outros como somos amados, como Jesus Cristo nos amou. Eis o amor daquele que diz com o salmista: ¿Louvai o Senhor porque ele é bom¿ (Sl 117,1). Louvar o Senhor não porque ele é bom para nós, mas simplesmente porque ele é bom, amar Deus por Deus e não por nós próprios, é o terceiro degrau do amor.
Felizes os que puderam subir até ao quarto degrau do amor: só se amar a si mesmo com o amor de Deus... Quando é que a minha alma, voltada para o amor de Deus, esquecida de si própria, não se julgando mais do que um vaso quebrado, quando é que ela se lançará para Deus para se perder nele e não ser mais do que um mesmo espírito com ele? (1Cor 6,17). Quando poderá ela descrever-se: ¿A minha carne e o meu coração já desfalecem, mas o Senhor é para sempre a rocha do meu coração e a minha herança¿ (Sl 72, 26)? Santos e felizes, os que puderam experimentar qualquer coisa de semelhante durante esta vida mortal, mesmo que raramente, mesmo que uma única vez. Não é uma felicidade humana, é viver já no céu.
Comentário feito por :
S. Bernardo (1091-1153), monge de Cister e doutor da Igreja
Tratado do amor de Deus.
por RAFAEL BACELLAR
09:51
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¿Sendo felizes, amando-nos, mostraremos como o matrimônio é atraente¿
Juanjo Muñoz e Paloma Iñigo moram em Saragoça. Estão casados há 20 anos e se conheceram no curso de Biologia. Nessa entrevista contam como o Opus Dei influiu na sua vida familiar.
Juanjo e Paloma têm oito filhos com idades entre 5 e 18 anos, quatro meninos e quatro meninas. Conheceram-se estudando Biologia na Universidade de Navarra: como seus nomes começam por letras próximas no alfabeto, freqüentemente estavam juntos em aulas práticas, exames, etc. Juanjo vinha de Múrcia e Paloma de Saragoça, e, lá pela metade do curso, começaram a namorar. Casaram-se três anos depois de se formarem, em dezembro de 1985 e, como costuma acontecer, escolheram a cidade da noiva para morar: Saragoça.
Como vocês conheceram o Opus Dei?
J: Eu conhecia o Opus Dei há anos, mas não pensava que Deus me chamaria por esse caminho até que alguns conhecidos me ajudaram a ver que aquilo poderia ser para mim. Pedi admissão na Obra dois meses depois do meu casamento. Essas são as duas coisas mais importantes que fiz na vida.
P: O exemplo dessas pessoas - e de muitas outras - também me influenciou, mas me influenciou sobretudo o rumo que a vida de Juanjo tomou. Pedi a admissão em dezembro de 1988.
Como é a sua vida no dia-a-dia?
J e P : Estamos casados há 20 anos, transcorridos entre filhos, aulas, laboratório, excursões, leituras, congressos, amigos, atividades apostólicas, etc. É uma vida normal, muito ativa, às vezes ¿ativíssima¿. Gostamos disso, somos felizes e isso é o que Deus quer de nós.
Quais são as suas prioridades?
J e P : Nosso trabalho principal é educar os nossos filhos. Embora em nossas vidas, como na de todos, haja momentos em que as tarefas se acumulam e aparece a correria, tentamos não perder de vista que o nosso trabalho mais importante é esse, e não outro.
Isso requer esforço porque, para ajudar os filhos a adquirirem virtudes, temos que caminhar na frente, e isso aperfeiçoa, em primeiro lugar, a nós mesmos. A chave é que nós, pais, melhoremos como pessoas. Temos certeza de que o fundamental é que nós dois nos amemos. Sem isso, é muito difícil. Com isso, quase tudo fica resolvido.
Além disso, temos que irradiar esse carinho para fora de casa, hoje mais do que nunca. Anos atrás tivemos a sorte de estar alguns minutos com o Prelado do Opus Dei e ele nos insistiu no apostolado do amor humano: ¿Que vejam como vocês se amam¿. Sendo felizes, amando-nos, mostraremos como o matrimônio é atraente.
Como pais de uma família cristã, o que vocês fazem para influir no seu ambiente, além de educar os seus filhos?
J e P : Cada um, no lugar em que se encontra, pode recristianizar a sociedade. Nós, sendo casados e pais de família, tentamos transmitir o verdadeiro significado do casamento e da família. Até pouco tempo atrás, trabalhávamos na área de Orientação Familiar. Trata-se de fazer as pessoas pensarem, para depois agirem: ter objetivos, projetos, distinguir o importante do secundário. Em suma, mostrar os valores e, o que é mais importante, ajudar a incorporá-los em suas vidas, para transformar os filhos em pessoas virtuosas. É uma tarefa apaixonante, que abre os olhos dos pais e dos educadores em geral.
Hoje em dia, também é imprescindível defender a vida humana. Nós, como biólogos e trabalhando no mundo da saúde e da educação, estamos envolvidos com o campo da bioética. Procuramos aprofundar nos temas da atualidade, como a ¿pílula do dia seguinte¿ ou a Lei da Reprodução Assistida, para transmitir a verdade objetiva diante de colocações subjetivas, relativistas e sentimentais. Além de falar em todos os fóruns que nos abrem as portas, também colaboramos na constituição de associações como a Associação Aragonesa de Bioética e o Fórum Aragonês da Família.
Link: http://www.opusdei.org.br/art.php?p=16666
por RAFAEL BACELLAR
01:55
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Educar os jovens na fé católica é uma tarefa cada vez mais difícil
Fonte: ACI
Educar os jovens na fé católica é uma tarefa cada vez mais difícil porém urgente, disse o Papa Bento XVI na segunda-feira pela tarde na Basílica de São João de Latrão ao inaugurar o Congresso eclesial de Roma que se celebra do dia 5 ao 8 de junho. Dirigindo-se aos participantes do Congresso titulado: "A alegria da fé e a educação das novas gerações", o Pontífice assinalou que "educar às novas gerações na fé é uma tarefa grande e fundamental, que toda a comunidade cristã está chamada", e que por ser "especialmente difícil, é mais urgente que nunca".
"A certeza e a alegria de serem amados Por Deus deve fazer-se em qualquer modo evidente e concreta em cada um de nós, e sobre tudo nas jovens gerações que estão entrando no mundo da fé", adicionou.
O Santo Padre assinalou que é necessário que as novas gerações experimentem que a Igreja como "uma companhia de amigos nos quais se podem confiar realmente, próxima em todos os momentos e circunstâncias da vida,... "que não nos abandonará nunca, nem sequer na hora da morte, porque leva consigo a promessa da eternidade".
Os jovens e adolescentes, continuou, "têm que ser libertados do preconceito difundido de que o cristianismo, com seus mandamentos e suas proibições, põe muitos obstáculos à alegria do amor; em particular, impede de ter plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher acham em seu amor recíproco".
"Os dez mandamentos não são uma série de ¿não' , mas sim um grande ¿sim' ao amor e à vida. O amor humano precisa ser purificado, amadurecido e ir além de si mesmo, para poder ser plenamente humano, para ser princípio de uma alegria verdadeira e duradoura, para responder àquela exigência de eternidade que leva dentro de si e a qual não pode renunciar sem trair-se. Este é o motivo fundamental pelo qual o amor entre o homem e a mulher se realiza plenamente somente no matrimônio".
Bento XVI sublinhou que o tema da verdade "deve ocupar um espaço central". Com a fé, disse, "acolhemos e aceitamos aquela Verdade que nossa mente não pode compreender até o final e não pode possuir, e nos permite alcançar o Mistério onde estamos imersos e encontrar em Deus o sentido definitivo de nossa existência".
Outra dimensão da fé, continuou o Papa, "é a de confiar em uma pessoa: não em uma pessoa qualquer, mas sim em Cristo", que "enche nosso coração, dilata-o e o enche de alegria, impulsiona nossa inteligência para horizontes inexplorados, oferece a nossa liberdade seu ponto de referência decisivo, libertando-a das angústias do egoísmo e fazendo-a capaz do amor autêntico".
"Na medida em que nos alimentamos de Cristo e nos apaixonamos por Ele, sentiremos-nos estimulados a levá-lo aos outros: não podemos guardar para nós mesmos a alegria da fé, mas sim devemos transmiti-la. Isto é especialmente necessário e urgente ante o estranho esquecimento de Deus que existe hoje em vastas partes do mundo, e em certa medida também aqui em Roma", concluiu.
por RAFAEL BACELLAR
01:52
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O primado de Pedro, tema da audiência geral desta quarta-feira
Fonte: Rádio Vaticana
¿Rezemos para que o primado de Pedro, confiado a pobres pessoas humanas, possa ser sempre exercitado no sentido originário desejado pelo Senhor, e possa assim ser cada vez mais reconhecido, no seu verdadeiro significado, pelos irmãos ainda não em plena comunhão conosco¿: palavras improvisadas por Bento XVI, na conclusão da audiência geral desta quarta feira, numa Praça de São Pedro inundada de sol e com a participação de mais de quarenta mil peregrinos.
¿Pedro - afirmou ainda o Papa - nesta breve improvisação final, é para todos os tempos o guardião da comunhão com Cristo e guia à realização da caridade na vida de cada dia¿. O fato de que diversos textos-chave referidos a Pedro se situem no contexto da Última Ceia - em que Cristo confere a Pedro o ministério de confirmar os irmãos - mostra que a Igreja, que nasce do memorial pascal celebrado na Eucaristia, tem no ministério confiado a Pedro um dos seus elementos constitutivos¿.
Na sua catequese preparada por escrito, em italiano, Bento XVI recordou que Pedro se chamava inicialmente Simão. Kefa - em grego, petros - aparece repetidas vezes no Evangelho, acabando por suplantar o nome primitivo. ¿O fato adquire particular relevo pelo fato de no Antigo Testamento a mudança de nome corresponder geralmente ao confiar de uma missão. E de fato a vontade de Cristo de atribuir a Pedro um especial relevo no seio do Colégio Apostólico resulta de numerosos indícios¿ ¿ que Bento XVI recorda, um a um.
Por exemplo, ¿é a Pedro que Jesus lava em primeiro lugar os pés, na Última Ceia, e por ele só que reza para que não soçobre a sua fé e nela possa confirmar os seus irmãos¿.
¿Aliás o próprio Pedro tem consciência desta sua posição particular: é ele que muitas vezes fala em nome dos outros, pede a explicação de uma parábola difícil ou sentido exato de um preceito ou a promessa formal de uma recompensa¿. ¿É ele também que resolve o embaraço de certas situações intervindo em nome de todos¿.
É perante a especial profissão de fé de Pedro, nos arredores de Cesárea de Filipe, que Jesus pronuncia a declaração solene que define, uma vez por todas, o papel de Pedro na Igreja: ¿Eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus¿. Muito claras estas três metáforas a que Jesus recorre:
Pedro será o alicerce rochoso sobre o qual assentará o edifício da Igreja; ele terá as chaves do Reino para abrir ou fechar a quem lhe parecer justo; finalmente, poderá ligar ou desligar, no sentido que poderá estabelecer ou proibir o que considerar necessário para a vida da Igreja, que é e continua a ser de Cristo.
¿Assim se descreve, com imagens plasticamente claras o que a reflexão sucessiva classificará de ¿primado de jurisdição¿.
Nas saudações, em diferentes línguas, aos variados grupos presentes, não faltou uma em português:
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, nomeadamente para o grupo referido de Portugal! Viestes a Roma para revigorar a vossa fé cristã e os vínculos de amor e obediência à Igreja, que Jesus quis fundar sobre Pedro. Que as vossas vidas, fortes na fé, sempre possam irradiar o amor de Deus, e as suas bênçãos desçam abundantes sobre vós e vossas famílias!
por RAFAEL BACELLAR
01:46
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[Quarta-feira, Junho 07, 2006]
Honra e glória à Trindade Santa
Mariana (MG)
A grande revelação de Jesus Cristo foi patentear o mistério divino. Ele, o Filho, fez que se conhecesse o Pai que está nos céus e prometeu e enviou o Espírito Santo. Os teólogos sintetizaram esta realidade do Ser Supremo com dois termos filosóficos que bem exprimem a Trindade Santa: uma única substância e três pessoas realmente distintas. Esta diversidade não impede a soberana unidade da divindade, pois as três pessoas têm a mesma essência em uma harmonia e identidades perfeitas. Três Centros de Consciência, três Modos de existir, três Hipóstases ontologicamente relacionadas e não apenas em plano meramente dinâmico e relacional. Tríade divinal que patenteia o Pai e o Filho e o Espírito Santo eternamente unidos na mesma essência e no mesmo nome: Deus. Isto num idêntico poderio e glória, numa inefável reciprocidade de conhecimento e afeição profunda. Mistério sublime: desde toda eternidade o Pai se conhece. Este pensamento é eterno, substancial, é a imagem de toda vida divina igual a sua origem e eis aí a Segunda Pessoa, o Filho, o Verbo eterno. O Pai e o Filho eternamente se amam. Este amor é consubstancial, intemporal, é o Espírito Santo, Terceira Pessoa, que procede do Pai e do Filho. A Trindade deve, então, ser vislumbrada conforme a analogia de união comum de pessoas. A Igreja primitiva vivia em função desta verdade sublime, como se pode deduzir do Símbolo dos Apóstolos. A saudação ¿Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo¿ remonta também à época apostólica. Doxologias, isto é, expressivas fórmulas litúrgicas, se deparam nos mais remotos escritos da era cristã. Este dogma fundamental, mistério basilar da religião, leva a reverenciar o Pai que tudo criou, o Filho que remiu o homem decaído, o Espírito Santo que santifica a humanidade. Jamais será possível compreender esta doutrina, dada a finitude da intelecção humana, mas resta a dita de poder conhecê-la, captando-a pelas antenas da primeira virtude teologal. Esta convida a uma atitude contemplativa. São Columbano dá esta diretriz: ¿Procura, portanto, a máxima ciência não por argumentos, mas por uma vida perfeita, não pela língua, mas pela fé que brota da simplicidade do coração¿. Este é um mistério de amor. Caracteriza o Senhor Onipotente querer Ele muito bem às suas criaturas. São João na sua primeira carta ensina: ¿Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade vem de Deus. E todo aquele que assim ama, nasceu de Deus. Quem não ama, não conhece Deus: porque Deus é amor¿.(1 Jo 4,16). Não basta, de fato, crer na Trindade. Cumpre vivenciar a realidade das insondáveis riquezas do Infinito. Imergir na Sua benevolência sem limites representa uma delicadeza para com uma ternura infinita. É questão de elementar fidalguia corresponder a generosidade celeste...Cada pessoa da Santíssima Trindade nos ama de maneira peculiar. O Pai contempla em nós suas criaturas prediletas; o Filho aqueles que Ele amorosamente remiu; o Espírito Santo, seus templos que Ele santifica. Tudo isto deve levar à imitação deste Deus, Uno e Trino, mistério de Unidade. Cumpre irradiar fraternidade por toda a parte. Os santos souberam penetrar bem no íntimo da vida trinitária e, deste modo, cresceram na perfeição. Nem se pode esquecer que o Domingo é, por excelência, o Dia da Santíssima Trindade, cultuada com a participação na Santa Missa e outros atos de piedade. A Trindade é nosso Destino. Saímos de Deus e um dia, a Ele voltaremos. Esta foi a grande mensagem de Cristo. Aí esta o núcleo mesmo da religião. Eis porque a Trindade é o dogma central de nossa vida. É nossa beatitude que está em foco quando professamos em plenitude o mistério trinitário.
Fonte: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
por RAFAEL BACELLAR
10:46
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Símbolos e Dons do Espírito Santo
Fonte: Redação
Símbolos do Espírito Santo
Na bíblia, a obra do Espírito Santo é descrita através de símbolos. É por meio deles que se percebe sua presença.
A água
Tornada sacramental simboliza e significa a ação do mesmo Espírito, no batismo, Paulo confirma: ¿Fomos batizados num só Espírito¿. E ¿Todos bebemos de um só Espírito¿. (1Cor 12,13).
A unção
Trata-se da unção com óleo que passou a ser sinal eficaz do Espírito, Jesus é o messias, palavra hebraica que significa o ungido. A unção com o óleo, tanto no batismo como na crisma é sinal da presença do Espírito, é sinal da presença do Espírito em nós, também.
O fogo
O fogo simbolizou a energia transformadora da ação do Espírito nos apóstolos.
¿Apareceram, então, umas línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo¿(At 2,3).
A nuvem e a luz
As nuvens, ora escuras, ora cheias de luz, estão presentes nas diversas manifestações da divindade, narradas na bíblia. Na anunciação de Maria, o anjo afirma que "Enquanto ele ainda falava, veio uma nuvem que os cobriu; e se atemorizaram ao entrarem na nuvem. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi". (Lc 9,34-35).
O selo
Tem quase o mesmo significado da unção. Os batizados recebem pela unção a marca de Deus. Pertencem ao Senhor, por seu Espírito. É Cristo que ¿Deus marcou com seu selo¿ (Jô 6,27) e é no Espírito que também nós somos marcados com um selo (cf. 2 Cor. 1,22).
A mão
Era impondo as mãos que Jesus curava os doentes e abençoava as crianças (cf. Mc 6,5; 8,23 e 10,16). A igreja conserva esse gesto na liturgia dos sacramentos para a efusão do Espírito. As famílias piedosas repetem, a toda hora, o mesmo gesto para que Deus permaneça com seus filhos!
O dedo
No hino ¿Vem, Espírito criador¿, o Espírito é invocado com o dedo da direita de DEUS! A lei de Deus foi escrita pelo Espírito, através do dedo de Deus, nas tábuas de pedra. (cf. Ex 31,18).
A pomba
Quando Jesus foi batizado, ¿viu o Espírito de Deus, descendo como uma pomba e pousando sobre ele¿ (Mt 3,16). O símbolo da pomba, para sugerir o Espírito Santo, é tradicional na Igreja.
O sopro
¿Jesus disse de novo para eles: A paz esteja com vocês¿. Tendo falado isso: soprou sobre os apóstolos, dizendo: ¿Recebam o Espírito Santo¿(Jo 20,22). Quando chegou o dia de Pentecostes, o sopro de um forte vendaval precedeu a chegada do Espírito.
Dons do Espírito Santo
Dons são qualidades que Deus dá à nossa alma que nos permitem perceber e viver as graças dele na nossa vida e praticar sua vontade.Tornam-nos dóceis ao sopro do Espírito Santo, despertando-nos para ouvir a voz de Deus em nosso interior e nas coisas criadas por Ele. Sabedoria: é o dom de perceber o certo e o errado, o que favorece e o que prejudica o projeto de Deus, quem acredita na libertação e quem está interessado na opressão.
Sabedoria
É dada especialmente aos pobres (Mt 11, 25) e àqueles que são solidários a eles. Não tem nada a ver com cultura. Por este Dom buscamos, não as vantagens deste mundo, mas o Bem Supremo da Vida, que nos enche o coração de paz e nos faz felizes. Diz o Senhor: "Feliz o homem que encontrou a sabedoria... Ela é mais valiosa do que ás pérolas" (Cf. Pv 3,13-15). A Sabedoria que vem do Espírito Santo "é um reflexo da luz eterna" (Cf Sb 7,26).
Inteligência
É o dom de entender os sinais da presença de Deus nas situações humanas, nos conflitos sociais, nas lutas políticas.. É o Dom Divino que nos ilumina para aceitar as verdades reveladas por Deus. Mesmo não compreendendo o Mistério, entendemos que ali está a nossa salvação, porque procede de Deus, que é infalível. O Senhor disse: "Eu lhes darei um coração capaz de me conhecerem e de entenderem que Eu sou o Senhor" (Jr 24,7).
Conselho
É o dom de saber discernir caminhos e opções, de saber orientar e escutar, de animar a fé e a esperança da comunidade. Só assim orientamos bem a nossa vida e a de quem pede um conselho.
Fortaleza
É o dom de resistir às seduções da sociedade capitalista, de ser coerente com o Evangelho, de enfrentar riscos na luta por justiça, de não temer o martírio. É esse o Dom que faltou para o Apóstolo São Pedro quando negou o Mestre, e que lhe foi dado depois pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes. São Paulo confiava no Dom da Fortaleza. Ele disse: "Se Deus está conosco, quem será contra nós?" (Rm 8,31).
Ciência
É o dom de saber interpretar a Palavra de Deus, de explicar o Evangelho e a doutrina da Igreja, de fazer avançar a teologia, de traduzir em palavras o que se vive na prática. Por este Dom o Espírito Santo nos revela interiormente o pensamento de Deus sobre nós, pois "os mistérios de Deus ninguém os conhece, a não ser o Espírito Santo" (Cor 2,10-15).
Piedade
É o dom de estar sempre aberto à vontade de Deus, procurando agir como Jesus agiria e identificando no próximo o rosto do Cristo. É o Dom pelo qual o Espírito Santo nos dá o gosto de amar e servir a Deus com alegria. Por ser o "amor do Pai e do Filho", o Espírito Santo nos dá o sabor das coisas de Deus. "O Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rm 14,17).
Temor
É o dom da prudência e da humildade, de saber reconhecer os próprios limites, de não pedir ou esperar de Deus que ele faça a nossa vontade. Não quer dizer "medo de Deus", mas medo de ofender a Deus. Sendo Ele o nosso melhor amigo, temos o receio de não lhe estarmos retribuindo o amor que lhe é devido. Mais do que temor, é respeito e estima por Deus.
Textos bíblicos
2 Cor. 1,22
21 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus,
22 o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações.
Mc 6,5
5 E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
Mc 8,23
23 Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
Mc10,16
16 E, tomando-as nos seus braços, as abençoou, pondo as mãos sobre elas.
Ex 31,18
18 E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.
Mt 11, 25
25 Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.
Cor 2,10-15
10 Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus.
11 Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus.
12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus;
13 as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.
14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
15 Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido.
por RAFAEL BACELLAR
10:44
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